sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O Poço



Todos possuem um poço. 
O poço é o local onde se encontram todos os problemas, confusões e desesperos de uma pessoa. Em tese, fora do poço se encontra a felicidade plena, sem nenhum deslize ou conturbação e, por ter essa definição, ninguém está fora do poço, pois sempre haverá um desafio a se enfrentar. 
Algumas pessoas estão no começo e vivendo bem, com alguns deslizes, mas sempre conseguindo subir e sentir o calor do Sol, outros estão descendo aos poucos, porém se segurando em alguns tijolos milagrosos que os salvam e, infelizmente, existem casos extremos... Pessoas que estão tão fundo que já começam a ver o fim ou até mesmo, já se deixaram cair.
Sabe qual a única coisa boa em chegar ao fundo do poço? 

terça-feira, 31 de maio de 2016

Medo


Medo. Uma palavra que desagrada em um nível extremo a garota. Nunca foi muito boa em demonstrar sentimentos, mas o medo era um sentimento que podia controlar muito bem. Não deixá-lo transparecer virou algo normal.

Porém, desta vez, assumir o medo é algo necessário, sua pouca experiência de vida soa como um alarme quando ela percebe que está deixando seus sentimentos aumentarem com muita facilidade, quando a menina não se importa em se esforçar para ser bem menos fria que o normal, afinal descobriu que o calor também a ajuda. É aí que o medo aparece. Será que está tudo muito descontrolado?
Ela não faz ideia se ele está da mesma maneira.
Medo.
Ela vai ser tão trouxa quanto foi da última vez? Uma voz dentro dela a diz para se controlar
"Você vai dar de cara no chão... De novo" é o que ela diz.
Parte dela quer conversar sobre isso, mas quão estranho seria?
Ela já aprendeu que não se pede sentimentos. É constrangedor.
Medo.
Lá no fundo, ela deseja que ele esteja tão quente quanto ela.
   MT

sexta-feira, 4 de março de 2016

Para a matemática, com amor...


Certa vez tive um professor que me mostrou que a matemática tem coração. Antigamente era penas uma matéria fria, cheia de fórmulas e questões complicadas.
  Talvez o coração da matemática fique feliz toda vez que achamos seu X ou tomamos aquela conclusão tão incrível sobre ela que a faz sentir orgulho, provavelmente aquele orgulho de mãe. Ela sabia que você iria conseguir, mesmo se estivesse tendo muitas dificuldades.
  Para o professor, a matemática era como uma namorada, ele a amava, gostava de descobrir seus X, Y, Z e todas as letras do alfabeto, mas a parte mais sentimental é quando encontrava o cerne dela, o porque das fórmulas, de onde veio cada pedacinho daquela maravilha. Acho que a sensação era como descobrir o passado daquele "crush", ficar tão íntimo que chega a saber o porque de ser assim, por quais situações ela passou.
   Até esse professor aparecer, a matemática era só mais uma matéria que eu deveria estudar e por sempre ser tão exata ela era fria e sem coração, diferente das minhas tão amadas Humanas, que estão sempre mudando, contando vidas, amores, guerras, culturas... Mas agora percebo que ela tem sim sentimentos e se fôssemos comparar com a geografia, história, sociologia... É apenas uma "pessoa" menos confusa, direta.
   Obviamente, isso não a torna fácil, mas posso dizer que a entendo um pouco mais agora.
Maria Thereza

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um suspiro

Lembro-me de quando passava em frente à padaria junto com minha mãe, sentia o cheiro de um suspiro vindo do fundo do estabelecimento, puxava a barra de seu vestido e apontava, indicando que deveríamos entrar. Quase sempre conseguia e saíamos com uma caixa do doce maravilhoso que era o suspiro.
Suspiro. Segundo o dicionário: respiração forte e prolongada ocasionada pela dor ou emoção, pode ser também um gemido ou até mesmo um som doce e melodioso, mas para mim, quando criança, era apenas a guloseima mais gostosa do mundo, sentia os pedacinhos de açúcar derreterem em minha língua e eu, ingênua criança, sentia como se estivesse no céu.
Posso até dizer que uma caixa dessa maravilha fazia toda a família se reunir para saborearmos todos juntos. Era um bom momento. Ninguém falando, apenas curtindo a companhia um do outro. Bons tempos...
A família reunida. Como queria que esses momentos acontecessem novamente. Talvez o fato de todos terem tantas coisas para fazer acabou nos separando. Podemos estarna mesma casa, pequena do jeito que é, e ainda ficamos em cômodos separados, cuidando dos próprios problemas, usando o celular, o computador, a televisão...
Será que comprar uma caixa de suspiros hoje em dia teria o mesmo efeito que antigamente? Será que algúm dia vamos voltar a nos reunir como uma família de verdade?
 Hoje em dia, os únicos suspiros que tenho contato são os de respiração forte e prolongada ocasionada pela dor.
                                                                                                                          MT

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Desabafo

Seguir em frente. Há três meses eu realmente acreditei que nunca iria esquecê-lo, que meu amor era muito grande e mesmo com todas as besteiras que ele fez para mim eu sempre estaria lá, em todos os momentos.
E agora... É como se eu não sentisse nada de bom e ficar sozinha me deixa livre. Não posso amar ninguém...

terça-feira, 11 de março de 2014

Dias infernais




                        
- Não me engane, eu sei o que aconteceu. Não vale a pena mentir, quanto mais mentiras, pior para você.
Mais uma vez meu namorado dava um de seus ataques. Sabia que nada ia ser fácil, mas resolvi arriscar mesmo assim, ele não poderia ser tão ruim. Além de tudo, eu o amo...
- Você está me escutando? - A voz rancorosa do homem invadiu meus ouvidos.
- Er... Desculpe. 
- Bom mesmo ir se desculpando, estou meio cansado de você. A surra que te dei ontem não foi suficiente?
A surra de ontem... Lembro-me de cada detalhe. Desde o momento que o ciúme começou a aparecer até o momento que ele pegou uma faca e me cortou. Mais uma cicatriz.
- Não vai me responder? Estou com cara de quem está brincando?
- É... Não, claro que não. 
- Então me responda mulher idiota!
- Sim, foi suficiente, além disso eu posso explicar...
- Claro que não pode, eu vi você o abraçando!
Obviamente aquilo não significa nada, esse homem tem quem que parar de ser tão ciumento. Além de tudo... Estou com medo.
- Foi só um abraço entre amigos! - Gritei, sem pensar em consequências e isso foi minha burrice.
Os olhos de meu namorado se arregalaram com extrema fúria, seu rosto ficando cada vez mais vermelho e em apenas alguns segundos senti o peso de sua mão bater em meu rosto velozmente. 
Dor. Um pouco de formigamento desviava parte da dor em minhas bochechas, mesmo assim eu sabia que iria ficar vermelho por um tempo.
Poucas lágrimas ousavam em escorrer, mas a culpa era minha, todos dizem que eu que o provoco, por isso ele me castiga. É assim que funciona.
- Porque está chorando? Você que pediu. Nunca mais ouse falar assim comigo. - Ele rosnou e saiu de minha casa lançando-me um olhar de ódio.
Medo. Tristeza. Dor. Lágrimas. Desespero. Tudo minha culpa.
Depois de esperar a ardência diminuir, fui à cozinha, lavei meu rosto e esperei que a água escorresse lentamente, esperando que levasse com ela todas as memórias do dia de hoje, mais um dia infernal que aguentei por puro amor...
Na manhã seguinte acordei com a ferida do dia retrasado infeccionada e cheia de pus, o rosto doído e com um semblante terrível. O que as pessoas iam pensar? Sou uma mulher terrível.
Depois de um banho demorado e quilos de maquiagem saí para o trabalho.
Já estava atrasada quando esbarrei em uma moça no elevador do prédio onde trabalho. Seus olhos eram castanho escuro, cabelos ondulados, presos em um rabo de cavalo, mas o que mais me chamou atenção foi um pequeno broche com um símbolo rosa, com uma mulher.
- Desculpe. - disse.
- Tudo bem. 
- Er... Sem querer incomodar, mas... O que significa o símbolo do seu broche?
- Ah, é o símbolo do feminismo. Eu também queria te fazer uma pergunta se não te incomodar.
- Pode perguntar.
- Quando esbarrei em você vi um corte no seu braço e acho que está meio infeccionado... Quer que eu te leve ao pronto socorro
Isso não era bom, ela tinha notado.
- Er... Não, está tudo bem. - respondi dando uma olhada para o braço. Na verdade, não estava nada bem.
O elevador se abriu e ela saiu, e apesar de tudo algo me deixava curiosa. O que significa feminismo?
- Olá senhor Gomes. Antes de começar o serviço posso usar seu computador rapidinho?
- Claro, mas tem que ser rápido mesmo.
Assenti e fui ao computador. Por sorte ele já estava ligado então apenas pesquisei o que queria. Em poucos segundos várias páginas sobre feminismo até que eu vi, em uma delas um artigo sobre violência contra a mulher.
A cada palavra que eu lia, percebia cada vez mais que o que meu namorado fazia comigo era errado. Que eu não deveria suportar aquilo. E agora eu sei o certo, todos que eu perguntei mentiram.
Agora não vai ser mais assim.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pode chorar

Andava lentamente pela calçada, esperando que algo bom acontecesse.  Ao longo do dia eu já havia tido várias crises rápidas de choro, mas nunca tudo era posto para fora.
O pior era que eu não tinha o que falar, na verdade, eu não sabia. Um dom que eu tinha era o de dar bons conselhos ou ajudar alguém com palavras reconfortantes, mas o dom simplesmente desapareceu. Ficou escondido dentro de mim.
Mais um pouco de lágrimas escorreram pelo meu rosto. Sou uma inútil. Nem para reconfortar alguém eu sirvo. Sequei as lágrimas e continuei a andar.
Pouco tempo depois cheguei em casa. Minha mãe ainda estava no sofá, assistindo à TV desligada. Sofrendo em silêncio.
- Estou indo para o quarto. Se precisar é só chamar. - Eu disse.
Ela apenas me olhou, assentiu com a cabeça e voltou para a mesma posição de antes.
Dentro se mim uma voz desesperada dizia que eu precisava ajudar. Mas... Como?
Era um caminho sem volta e minha mãe sofria. Não posso deixá-la assim.
Desci as escadas correndo e senti ao lado dela, esperando que a minha presença ajudasse. Infelizmente de nada adiantou. Pequenas lágrimas ainda saltavam de seu rosto, bem descritas, mas impossíveis de não notar.
Como não aagora o que dizer apenas deitei sua cabeça em meu colo e acariciei seus cabelos. Tínhamos trocado de lugar. Hoje eu era a mãe, mas desta vez a dor é mais forte, não era um término de namoro e sim a morte. A tão temida morte.
- Estarei sempre aqui, te apoiando. Pode chorar, não precisa esconder. -Eu disse.
Então, ela chorou.